Como fazer uma transição no mercado de trabalho – Parte 3: Experiência, Alcance e Adaptação

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Depois de abordarmos quais novas competências você precisa ter e como você precisa se mostrar e comportar para uma transição de carreira, vamos agora para a parte mais difícil da coisa: botar o pé na estrada e começar a buscar oportunidades no mercado que você escolheu.

Fazendo uma metáfora automotiva, se você seguiu a Parte 1 e a Parte 2 desse especial, você colocou as peças que faltavam, deu um tapa na funilaria e na pintura, calibrou tudo e deixou tinindo, já com um mapa desenhado, para dar a partida.

Mas atente-se: a estrada não é simples. A transição de carreira é muito mais uma trilha off-road do que uma pista de corrida, que você já sabe o caminho e é só acelerar. Você precisa reconhecer o terreno, as armadilhas e os atalhos. O quanto antes você correr, melhor. Mas você também precisa ser inteligente ao escolher o seu caminho.

Neste artigo, vou abordar como trabalhar com vagas que pedem “experiência no mercado”, bem como quais são os primeiros passos (é raro conseguir uma mudança radical de primeira) e o que esperar quando estiver batendo de porta em porta.

A transição de carreira não é uma pista de corrida, que você já sabe o caminho e é só acelerar. É muito mais uma trilha off-road, com buracos, armadilhas e atalhos.

Experiência no mercado:

 

Você vê uma vaga que pode ser uma grande oportunidade para você e acha que você tem o perfil adequado. Mas logo na descrição, está lá a bendita frase: “No mínimo X anos de experiência no mercado“.

Antes de contar como tentar vencer esse obstáculo, um breve comentário: geralmente, quem pede experiência de mercado quer na verdade alguém que ou tenha contatos e saiba as particularidades de tal segmento, ou – na maior parte das vezes, especialmente em vagas menos sênior – alguém que saiba minimamente o que está fazendo.

Alcance

 Mesmo se você adquiriu novas competências e conseguiu traduzir tudo o que sabe para o formato adequado, ainda há uma limitação de alcance nessa sua mudança de carreira.

Se você quer sair de Comunicação para seguir sua jornada em Medicina, há um longo caminho com uma série de pré requisitos.

Mas para carreiras mais genéricas e/ou especialmente próximas à sua atual, como é de fato mais costumeiro, é muito mais fácil.

Você não precisa fazer a mudança inteira de uma vez.

Provavelmente nem vai conseguir, na verdade. Pode ir faseando a mudança em algumas experiências. Por exemplo, essa é uma das jornadas mais comuns que eu vejo (justamente por ser oriundo de Comunicação Social/Jornalismo):

Exemplo: Jornalismo > Social Media > Marketing Digital > Marketing

Por que dividir em etapas a mudança? A vivência e os aprendizados na função atual qualificam o profissional para dar mais um passo rumo à carreira desejada.

É uma forma de ficar mais perto dos “anos de experiência” requisitados e – mais importante que isso, você realmente conquista competências mais próximas do mercado que quer chegar (e vê também se é isso que você queria!).

Como conseguir

 Além de tentar galgar espaço em vagas que você tenha experiência e competências para conquistar, você tem algumas alternativas para conseguir aumentar o seu alcance.
Alguma mudança (mesmo pequena) dentro do seu próprio emprego pode ser uma grande ideia, pois você mantém seu salário (é proibido reduzir os vencimentos de um colaborador na mesma empresa) e o seu capital social enquanto testa uma nova função.

Mudanças internas, projetos paralelos e estudo formal e informal são boas formas de aumentar o seu alcance profissional

Se você quiser aumentar o seu alcance consideravelmente, uma alternativa é um estudo formal da área que quer atuar, em uma graduação ou pós-graduação (pessoalmente eu acho uma ideia melhor). Assim, você não só aumenta o seu conhecimento específico como também cria uma rede de contatos mais próxima da carreira que quer seguir.

E uma boa rede faz muita diferença. Podem te indicar, podem te recomendar, podem te abrir portas que você nem conhecia. Mas lembre-se sempre de sempre gerar valor para os seus contatos e não ficar pedindo e implorando. Faça um bom networking!

Se precisar de ferramentas específicas, existem vários cursos de curta duração e até mesmo o YouTube pode te ajudar de monte (você ficaria impressionado o quanto).

Projeto paralelo

Criar um projeto paralelo é uma grande saída: você tem autonomia total, pode testar e errar muito mais – e ainda faz o que realmente gosta. Certa vez eu estava acompanhando uma mentoria de um empreendedor que perguntou:

“Qual é o melhor curso de Marketing Digital que eu posso fazer?”

A resposta me surpreendeu.

“Crie um blog e faça ele chegar a 10 mil visitantes por mês”

Por que? Porque você terá que aprender mil coisas na unha para cumprir tal objetivo.

E se você criar um projeto em um mercado mais próximo do que quer alcançar, você já fica mais próximo das boas práticas e particularidades daquele setor, e às vezes são esses detalhes de vivência prática podem fazer toda a diferença

Degrau abaixo

 Independente do quanto você se preparou e conquistou até o momento, você precisa saber uma coisa muito importante para não se frustrar logo de cara.

A chance de você precisar descer um degrau profissional é relativamente grande.

Tanto em cargo (de gerente para analista, por exemplo) quanto em remuneração, a competição com alguém com mais tempo de experiência naquela estrada é acirrada, e talvez a porta com entrada mais fácil esteja um andar abaixo.

Por isso, é bom adaptar a sua vida pessoal e planejar essa transição: se o seu custo fixo está atrelado a um alto salário e você possivelmente não vai conseguir um igual em sua nova carreira, é bom ter alguma reserva.

É bom se preparar psicologicamente para escutar muito não e perder competições para quem sempre foi “do mercado”.

Também é bom se preparar psicologicamente para escutar muitos “nãos” e perder algumas competições para quem sempre foi “do mercado”. Acontece. Muito. Tem muita empresa e recrutador que tem grande aversão ao risco (um candidato com histórico que foge ao padrão convencional) mesmo com um potencial de retorno melhor.

Por fim…

Como eu disse, a transição de carreira não é uma estrada tranquila, mas sim uma trilha offroad cheia de buracos e armadilhas. Cabe a você preparar o terreno, desenhar um mapa, ficar atento e realizar que não é fácil – especialmente em um cenário econômico pouco favorável (o que nunca é desculpa, diga-se).

Portanto, vale sempre analisar se de fato o seu perfil está competitivo e em quais mercados, se faltam competências ou experiências específicas, se você pode fazer iterações e algo diferente, entre outras coisas.

Vou finalizar retomando uma série de questionamentos:

Parte 1: Mapas, Ferramentas e Carreira em T

  • Onde você quer chegar? Por que?
  • Quem já está onde você quer chegar? O que você pode aprender com ele?
  • Que competências são necessárias para essa carreira?
  • Como eu consigo desenvolver essas competências (rápido)?
  • Que diferenciais eu posso ressaltar?

Parte 2: Apresentação, Currículo, Entrevista e Networking

  • Quais são as informações mais relevantes que eu posso oferecer? Como?
  • Como eu posso adaptar meu currículo?
  • Qual a melhor forma de comunicar meu interesse em uma oportunidade?
  • O que eu sei sobre o lugar que quero trabalhar? E sobre as pessoas?
  • Qual será minha abordagem na entrevista?
  • Como eu posso aproveitar a minha rede?

Parte 3 – Experiência, Alcance e Adaptação

  • Quais funções eu posso ter como intermediárias até meu objetivo?
  • Como posso expandir meu alcance?
  • O que posso oferecer para competir com candidatos tradicionais?
  • Estou preparado psicologicamente e financeiramente?
  • Como vou começar hoje?

Ao longo dessa série especial, eu abordei alguns pontos que considero interessantes para quem quer mudar de carreira. Eu segui, conscientemente ou não, acertando ou errando, muitos passos nessa trilha – e espero que ela tenha sido valorosa para você.

O seu feedback é muito importante para mim. O espaço para comentários está aberto para discussão, eu realmente quero saber a sua opinião e se tem algum ponto que gostaria de adicionar.

Valeu e um abraço!

Felipe Figueiredo

Felipe Collins Figueiredo é head de marketing da ACE, Melhor Aceleradora de Startups da América Latina e ecossistema completo de inovação para o empreendedor de alto impacto. Também é professor e palestrante.

Eric Hayashi
Eric Hayashi
'CEO' #EHayashi, Cofounder @DesafiandoMKT, Curador #StartupDigest, Planner @GrupoTV1 // #startup #photo #digital #content #biz #video #tech #creative [+]